terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Dedo de Prosa #17: Dunkirk (2017)

Capa do filme.
O filme que faltava à carreira do Nolan.

"Dunkirk" não é o melhor filme do Nolan, isso ficou claro para mim quando os créditos começaram a rolar e aquela impressão de "tá... foi bom, mas eu esperava mais" começou a latejar na minha mente. Não é que o filme seja ruim - longe disso! - mas ele possui pouca engenhosidade na hora de criar uma narrativa um tanto inventiva, fazendo com que o filme - primoroso tecnicamente - acabe repetindo algumas fórmulas já batidas no gênero do cinema de guerra. Ainda assim, considero esse filme um divisor de águas na carreira do diretor inglês.

Christopher Nolan é - junto de alguns outros nomes como Darren Aronofsky, Denis Villeneuve, David Fincher, entre outros - um dos diretores mais promissores dessa safra de novos cineastas que surgiram dos anos 90 para cá. Contudo, o nome do britânico ainda parece deixar muito cinéfilo - em especial os mais saudosistas! - com um certo pé atrás, haja vista as suas narrativas, por vezes, comerciais e megalomaníacas (no bom sentido).

É justamente aí que "Dunkirk" entra. São inúmeros os cineastas, tanto britânicos quanto americanos, que tiveram como marcos fundamentais de suas obras grandes filmes ambientados em guerras, tais como Kubrick ("Full Metal Jacket"/"Paths of Glory"); Coppola ("Apocalypse Now"); Malick ("The Thin Red Line"); Spielberg ("Saving Private Ryan"/"Schindler's List"); Lean ("The Bridge on the River Kwai"/"Lawrence of Arabia"); Cimino ("The Deer Hunter"); Stone ("Platoon"); Polanski ("The Pianist"), entre outros. Dito isto, considero - estrategicamente falando - uma escolha bem feita ter resolvido dirigir um filme deste teor agora, ainda que o resultado final não tenha sido o melhor possível. É a ponta-de-lança para que passem a respeitar o nome do Nolan como o grande diretor que é.

Quanto ao filme em si, não há muito o que ser dito. Tecnicamente o filme é primoroso. Cada plano é realizado de maneira cirúrgica, de tal modo que mesmo as tensões trabalhadas na narrativa são refletidas na forma como a filmagem transcorre, provocando uma sensação de imersão na trama pouco comparável. O som é um elemento à parte, não só pela já característica trilha-sonora fabulosa de Hans Zimmer, como pela mixagem dos efeitos sonoros aliados aos eventos da trama.

A catarse do filme.
Contudo, a trama do filme deixa a desejar quando o roteiro, um tanto caótico, começa a apresentar incongruências dentro da sua própria proposta, haja vista que o filme começa fugindo dos estereótipos spielbergerianos das romantizações dos heróis e vilões e das narrativas ortodoxamente lânguidas, priorizando uma atmosfera mais sensorial e enigmática. Contudo, com a não-linearidade dos eventos e a profusão de diversos segmentos narrativos menores dentro de toda a trama, o filme não consegue desenvolver seus personagens e acaba por falhar ao tentar produzir um sentimento de identificação estes.

Desta forma, "Dunkirk" acaba por ser um filme técnico e seguro, a ser analisado especialmente sob esta ótica. Talvez devido a pretensão com que tenha sido produzido ou mesmo o resultado total da trama, que desemboca em uma lógica indutiva gerando insatisfação no final, o filme acaba por se mostrar como um dos mais fracos da carreira do diretor. Ainda assim, é - para todos os fins - um dos mais importantes para a história do Nolan.

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