quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Área Cult #7: Poesia Sem Fim (2016)

Capa do filme.
Discorrer sobre um filme do Jodorowsky é - sem sombra de dúvidas - um grande prazer e um imenso desafio. Para além das peculiaridades nada ortodoxas de suas obras, existe no seu tato cinematográfico uma intensa tentativa de aplicar exercícios estilísticos de arte, e isso, em um cenário onde a perpetuação das mesmas caricaturas idiossincráticas do cinema contemporâneo, é algo a se admirar.

É com isto em mente que se escancara a proposta de Poesia sem fim, uma espécie de auto-biografia hiperbólica do próprio diretor. Por meio dos versos roteirizados dentro da narrativa, o diretor - que em muitos momentos aparece em cena, como a consciência da personagem, complementando a cena que se dramatiza - descreve a sua jornada em contato com a arte (e, mais especificamente, a poesia) da infância até a vida adulta.

O pequeno Alejandrito, interpretado pelo filho do diretor (Adan Jodorowsky), vive em um lar repleto de amarras sociais. Seu pai (também interpretado por um filho do diretor: Brontis Jodorowsky), rígido e extremamente autoritário, exerce sob a criança um pavor que o impele de aflorar seus instintos artísticos. Contudo, em um rasgo de rebeldia sentimental, ele rompe o contato com sua árvore genealógica (e isso não é uma metáfora), partindo de encontro com uma epopeia de auto-conhecimento e aprimoramento artístico.

Pois, como bem expressa uma parte do roteiro, "o único sentido da vida, é a vida" e, da mesma forma, a única explicação para a poesia, é a poesia. Por mais que seja um "filme-testamento", Jodorowsky faz questão de construir uma realidade imaginária, extrapolando os acontecimentos que retrata no longa. É o lirismo aliado ao verossímil que construiu sua carreira artística e, usando de certa metalinguagem, o diretor faz questão de mostrar como essa sua concepção de arte foi construída.

E é desse conflito fraternal que emerge toda a construção da trama. Mais ainda do que um filme sobre si mesmo, sobre a poesia ou sobre a arte, Poesia sem fim é, também, o perdão de um filho para com seu pai, que nunca mais se viram depois da juventude do diretor. É a voz de um viejo que sussurra para o seu passado, tentando acalentar o seu eu jovem e mostrar que tudo ficará bem.
O último encontro de pai e filho (Jodorowsky no centro, guiando os atores).
Segundo filme de uma logia de cinco filmes, que começou com A dança da realidade (2013), em que o diretor procura retratar sua vida através da poesia cinematográfica, Poesia sem fim é uma expressão sintomática do vil e do erudito, da beleza e do hediondo. É - para além de qualquer análise crítica - um deslumbrante espetáculo de fantasias e excessos, que adornam ainda mais a carreira cinematográfica de um dos grandes nomes da Sétima Arte.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Sem Mais Delongas #17: A sociedade, o comportamento e o Narciso.

(reflexões sobre a ética como juízo de valor).


Muito já foi escrito sobre como deveria ocorrer o funcionamento do comportamento humano, seja individualmente ou socialmente. Dada esta realidade histórica do pensamento e a construção inenarrável de sociedades baseadas em imperativos categóricos, foi possível observar a transformação das interações interpessoais em instituições sociais que erigem a estabilidade das mesmas. Contudo, tal produção de concepções se perverteu em preceitos normativos insustentáveis logicamente, haja vista que não é possível se extrair preceitos descritivos que determinem um sistema de ética, sem que haja uma distinção entre as concepções do dever com o ser.

Toda proposição normativa tende a ser produzida de modo a refletir compreensões narcisísticas de mundo, pois presume que a prescrição de moralidade reside essencialmente da relação comportamental do indivíduo como um fim em si mesmo. Esta anátema promulgadora de determinados métodos de enxergar a realidade humana produziu uma consciência coletiva de que os escopos da razão são irrefragáveis, dando ao debate um tom altamente ególatra e que, muitas vezes, descamba para a antinomia.
"Metamorphosis I" (Escher, 1937)
A priori, subjugamos o instinto compulsório de nossas vontades a fim de quantificar as diretrizes morais que uma sociedade deve ter, mas com isso retornamos ao problema inicial dos imperativos categóricos e sua fraqueza perante uma avaliação cética, como Hume a guilhotinar tais ídolos.

O indivíduo é parte central da construção das compreensões morais de uma sociedade, sendo um sistema de ética unicamente justificável quando postulado de modo a refletir valores que se justificam per si, como os direitos naturais propostos por Locke em “Segundo Tratado Sobre o Governo”. Contudo, tal visão sempre é tomada de modo a suscitar a ideia de um subjetivismo exacerbado, como se a gênese daquilo que caracteriza o comportamento humano residisse apenas em suas vontades e/ou prazeres, o que resulta em ideias como a do utilitarismo.

Ayn Rand, em “A Virtude do Egoísmo”, demonstrou brilhantemente como a percepção de que a ética tomada como princípio de devir tende ao paroxismo, haja vista que a arregimentação destes princípios como base da ética incorpora um estado de organização social que, muitas vezes, acaba legitimando a violência, física ou psicológica, daqueles que possam não concordar com as ações de um indivíduo, podendo esta violência ser originária tanto de uma pessoa quanto de alguma instituição social e/ou política.

Sendo assim, pode-se perceber que a natureza intrínseca daquilo que constitui a ética de uma sociedade não reside unicamente em preceitos subjetivos ou objetivos, mas que são moldados a partir de caracterizações auto-evidentes. Foi o exercício ontológico proporcionado pelo processo de transformação da práxis humana que nos permitiu compreender as relações de comportamento da humanidade. 

Logo, ressalta-se o quanto é importante que nos sujeitemos ao julgamento, pois a partir do mesmo que o debate público sobre a ética, no decorrer da história, permitiu a fundamentação da compreensão das civilizações contemporâneas. Talvez mais importante que qualquer sistema de ética, a perversão do comportamento em algo que esteja imune aos julgamentos, seja a grande questão contemporânea. É mais um dos absurdos mitos que o nosso Narciso produziu e que, indubitavelmente, visa a ocultação do seu real intento: o caos social.

sábado, 15 de abril de 2017

Dedo de Prosa #14: Velozes e Furiosos 8 (2017)

Capa do filme.
Existem alguns fatos que são visíveis para todos. Talvez o mais evidente deles é o tamanho do significado que a franquia Velozes e Furiosos tem para a história da cinematografia mundial. Repleto de conceitos filmográficos revolucionários, sempre com um roteiro extremamente filosófico e profundo ao investigar a natureza humana, com um zelo técnico absurdo no tratamento dado aos enquadramentos e os jump-cuts sempre muito bem colocados e, especialmente, com um compromisso irrefragável com a coesão com a realidade, sempre retratando situações totalmente factíveis e com nexo.

A atuação dos atores, que aparecem na tela como um conjunto de professores a ensinar para os seus colegas de Hollywood como se atuar, é primorosa. A riqueza do mise-en-scène é tamanha que fariam produções clássicas do cinema da Nouvelle Vague se prostrarem em reverência ao imenso acervo de nuances interpretativas que os gênios da interpretação que fizeram este filme têm.

A produção contínua dos diálogos - extremamente herméticos, dada a complexidade dos assuntos tratados - aliada a uma trilha-sonora minuciosamente escolhida - como uma mistura de tons do classicismo dramático de Wagner com a limpidez romântica de Chopin - e, para encerrar com chave de ouro, uma fotografia que produziria arrepios ao Malick, é algo que marcará para sempre o cinema.. Tudo isso, composto numa narrativa épica com toques de tragédia grega, produz uma sinestesia sem precedentes aos seus telespectadores, comprovando como a franquia se estabelece como um divisor de águas para a produção cinematográfica no mundo.

Mas agora falando sério (e espero, sinceramente, que você tenha percebido o sarcasmo das palavras ditas anteriormente), a fórmula seguida por Vin Diesel e sua trupe já não é segredo de ninguém. As repetições dos mesmos clichês são vomitadas na sua cara sem a menor vergonha. Dessa vez, tentando provocar um twist diferente, os produtores buscaram fazer com que o próprio Dom (Vin Diesel) fosse o agente questionador daquilo que constituiu a franquia (e que é repetido ad aeternum sem o menor pudor): a família.

Colocando caras novas no elenco (como o fraquíssimo Scott Eastwood, a coroa mais linda e talentosa do mundo: Helen Mirren, o - para mim - mal aproveitado Kristofer Hivju e a deslumbrante Charlize Theron) e fazendo com que alianças nada prováveis, como a de Hobbs (Dwayne "The Rock" Johnson) e Ian Shaw (Jason Statham), ocorram, o filme tenta desvirtuar um pouco da logística da narrativa. Pra contribuir, o filme ainda traz à tona figuras carimbadas de longas anteriores, como a policial Elena (Elsa Pataky).

Contudo, nem mesmo a revolta de Dom (Vin Diesel) é capaz de produzir uma mudança significativa na linha de raciocínio dos produtores e roteiristas da franquia. Até mesmo os alívios cômicos oferecidos por Roman (Tyrese Gibson) estão presentes como função narrativa indispensável para a casca do funcionamento do enredo, que já é do conhecimento de todos.

Há tempos que Velozes e Furiosos perdeu aquela essência dos rachas e da cultura de rua dos carros fodelásticos, se transformando em uma franquia de ação compromissada apenas com o entretenimento do público em ver tiros, porrada e bomba (como diria uma pensadora contemporânea (sic) por aí). Mas vou além, pois algo ficou claro com este oitavo filme: para além da ação, a franquia é também uma produção extensa de aventuras, onde um grupo assume a responsabilidade de vencer a "batalha". No quinto filme o inimigo era Hobbs (Dwayne "The Rock" Johnson), no sexto era Owen Shaw (Luke Evans), no sétimo era Ian Shaw (Jason Statham) e neste oitavo temos Charlize Theron (Cipher), mas em todos eles se percebe a criação de toda uma problemática a ser resolvida.

Seja como for, é o que já disse algumas vezes: a opção em assistir mais um filme da franquia é rigorosamente nem um pouco ligada à técnica. Afinal, é justamente o apelo comercial e o imaginário popular que impulsionam o sucesso da franquia. Se você é como eu e aprecia películas em que o contexto narrativo tem função exclusiva de entreter, então não se importará de ver mais uma sucessão de carros quebrando, bombas explodindo e porrada comendo. 

É justamente essa suspensão de descrença que marca o fervor que muitos (e me incluo nisso!) ainda têm pelos filmes de Velozes e Furiosos, afinal ninguém é de ferro e às vezes é necessário algo mais light do que a verborragia conceitual de cineastas mais complexos. Para esse alívio que existem franquias como essa e, talvez por isso, que a gama de espectadores permaneça tão fiel ao que esta representa, sempre mantendo esse entretenimento como fator primordial na produção dos filmes. Talvez a família, de que Dom (Vin Diesel) e sua turma tanto falam, sejamos nós. Resta apenas saber se realmente não abandonaremos essa família.

domingo, 2 de abril de 2017

Dedo de Prosa #13: Fragmentado (2017)

Capa do filme.
"Os afligidos são os mais evoluídos."

Eis aqui, definitivamente, meus respeitos ao que Shyamalan pode representar para o cinema contemporâneo. Eu já havia ressalvado, em "A Visita", uma possível volta por cima na carreira do diretor, mas foi com Fragmentado que o indiano provou sua capacidade como cineasta e produziu seu melhor filme desde "O Sexto Sentido".

É claro que ao se falar em sua filmografia, não se pode deixar de lado as características que tanto o marcaram: a relação de imanência e metafísica que acompanham suas narrativas; os dilemas psicológicos que acometem os personagens ou até mesmo os enquadramentos não-ortodoxos que marcaram sua carreira. Contudo, há uma mudança significativa no tratamento deste longa (e que também esteve presente no seu filme anterior): o cuidado em não se limitar à produção forçada de plot twists.

Fragmentado começa como um simples thriller: um homem, aparentemente traumatizado, rapta três garotas e as prende em um tipo de sótão localizado em um lugar anônimo. Com o desenrolar da trama, são mostradas as nuances que percorrem a trama: o transtorno dissociativo de identidade (TDI), vivido por Kevin (James McAvoy) e os traumas de vida de Casey (Anya Taylor-Joy).

Com o manifesto de algumas das 23 personagens de Kevin - Dennis, um psicopata com TOC (transtorno obsessivo compulsivo), que gosta de ver mulheres nuas dançando pra ele; Barry S, um estilista extrovertido; Hedwig, uma criança ingênua; Patricia, uma maníaca controladora - e a aparição da Dra. Fletcher (psicóloga de Kevin), uma Luz(!) nos abre os olhos: o sofrimento.

Imagine-se em uma jaula, preso; na companhia de outras 22 pessoas, que podem ser outras ou não. Imagine que a sua realidade seja uma simbiose de noções inequívocas de uma realidade decadente, onde uma simples abstração pode significar a ruína de todo um ser. Há um momento em que a fuga desta verdade é simplesmente irrefreável e não há nada a se fazer, a não ser trabalhar um rito catártico. A única alternativa é libertar esta Fera, trajada de ódio e vitalidade. A transmutação de todos os valores em sua excelência!

Sem controle. Não há escapatória para a humanidade. Apenas a experiência de confrontar a realidade, tal como ela é, pode lhe proporcionar uma chance. Pois, antes de tudo, é a dor da existência que nos permite diferenciar os fortes dos covardes. A mesma dor que permite, na individualidade de cada ser, saber se conseguiremos nos exultar, ultrapassando a nós mesmos.

Tudo isso (e muito mais!) é realizado de forma magistral, dado o zelo técnico do diretor e as brilhantes atuações do (para mim, subestimado pela indústria) James McAvoy - que consegue transformar cada detalhe de sua atuação em um ponto-chave para o entendimento de cada personalidade - e da magnífica Anya Taylor-Joy, que provou que sua excelente atuação em "A Bruxa" não foi apenas resultado do acaso.

Shyamalan acerta e mostra - mais uma vez! -  que ainda pode nos proporcionar um filme fantástico, tenso e profundo. A escolha de não forçar a aparição de todas as personalidades de Kevin é - para mim - um grande acerto, pois dá um enfoque maior ao desenvolvimento do enredo. Apesar de alguns escorregões no roteiro, a obra não é comprometida. Grande filme!
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Curiosidade desnecessária: há uma cena em que há um casaco em cima de uma tábua de passar fechada, recostada na parede. Talvez eu esteja ficando louco ou o curso de História já tenha afetado meu cérebro, mas a construção da figura formada por estes objetos me pareceu simbolizar Anúbis (deus dos mortos, no Antigo Egito).

sábado, 28 de janeiro de 2017

Sem Mais Delongas #16: A estranheza na lógica binária.

(ou como a contemporaneidade "ama" a humanidade e odeia o seu semelhante).


A binariedade como proposição lógica é uma das mais antigas (e opacas) tradições filosóficas. Em Da Interpretação, Aristóteles postula o que ficou conhecido como princípio da não-contradição, ou seja, em um confronto de proposições contraditórias (em que uma anula a outra), uma destas é obrigatoriamente verdadeira e, obviamente, a outra é falsa. Não há possibilidade, segundo Aristóteles, de algo ser e não ser, simultaneamente. Salvo quando vista sob à luz de algum tipo de ambiguidade característica. Contudo, com o avanço do curso histórico, essa noção aristotélica se perverteu em uma bivalência um tanto quanto estúpida.

Quando se estabelece um tipo de discussão analítica sobre algum tema, é instintivo que se imaginem proposições adversas de perspectiva. Contudo, a natureza intrínseca do processo analítico é composto de diversas nuances que alternam, invariavelmente, a essência do assunto discutido. Tentar promover um valor-verdade baseado apenas na anulação da adversa, apenas anula a característica profunda de toda investigação filosófica: o questionamento, puro e simplesmente.

Tendo dito isto, trato como algo um tanto quanto surreal a aplicação dessa mesma lógica em um espectro de amplitude maior. A discrepância do confronto de ideias opostas com relação ao confronto de situações, sociais e econômicas, é abismante. Sendo assim, merecedoras de um tratamento mais profícuo. É por isso que, nos tempos cotidianos, a relação feita entre os fatores exclusivos de um determinado indivíduo serem determinantes para um outro, me aparenta ser, no mínimo, um tanto questionável. A ideia de que o motivo de um indivíduo ser pobre é, necessariamente, consequência imanente da ação de um outro indivíduo que se favoreceu disto é, no mínimo, de validade questionável.

Partindo desse princípio, poderíamos também dizer que uma pessoa só é feia pela outra ser bonita. Ou que uma só é gorda, pela outra ser magra. Que uma é triste, pela outra ser feliz. Toda essa noção de que os fatores (ou atributos) de um indivíduo estejam externos à ele é, na sua essência, um completo menosprezo às preferências (e consequências naturais) do indivíduo. Mais uma vez, a delegação das responsabilidades fornece uma visão de mundo em que as pessoas não são mais conscientes de suas vidas e vivem, de forma alucinógena, em um lugar de fantasia.
"Dr. Jekyll and Mr. Hyde" (John S. Robertson, 1920).
Fruto de um constructo ideológico arregimentado durante os anos, toda essa noção irrefreável de interferência perante à existência do outro é, profundamente, ligada ao conceito esquizofrênico de igualdade que permeia boa parte dos discursos dos social justice warriors. De raiz um tanto quanto autoritária, tal assertiva é trazida ao debate público a fim de justificar um tipo de expropriação econômica dos indivíduos que teria o objetivo de quitar uma "dívida histórica".

Logo de cara, podemos ver como tal justificativa é um tanto quanto controversa, pois para isso seria necessário destruir toda a liberdade de uma sociedade livre. O jornalista e autor indiano Dinesh D'Souza, em uma palestra na Amherst College, apontou a hipocrisia dessa concepção, mostrando que tentar advogar uma compreensão dessas em um espectro que abranja toda uma sociedade, é simplesmente torpe. Todo tipo de caridade (ou ajuda) aos mais necessitados, se forçada, deixa de perder a sua razão moral e passa a ser, no seu cerne, uma perversão autoritária de comportamento.

O mais curioso nisso tudo é que estes se tornam muito confortáveis em suas posições hipócritas de seres bondosos, mas na prática só o que fazem é proliferar os seus discursos. Como bem conceituou Bastiat, em seu livro A Lei, a espoliação legal tem raízes profundas na falsa filantropia. É muito fácil se advogar por uma "justiça social" paga pelos outros, quanto não se está disposto a fazer algo por si próprio para que o problema seja solucionado. É por isso que, invariavelmente, tais posturas mostram suas verdadeiras faces e como pouco se importam realmente com os seus semelhantes, pois só o que querem mesmo é aparentar um "amor" (totalmente falso)  à humanidade.